sexta-feira, maio 26, 2006

Freak Show cinematográfico: Eraserhead

Poderia falar sobre várias coisas que aconteceram em 1977, como a explosão do Punk, a decadência do Rock Progressivo, a eleição de Jimmy Carter, a morte de Elvis (morte? haha), a morte de José Carlos Pace, a morte de Clarice Lispector, ou a morte do mestre Chaplin.
Ainda em 1977, poderia falar sobre o primeiro filme da saga "Star Wars", ou até mesmo sobre o ônibus espacial Voyage 2.

Mas, não. Decido aqui falar sobre o filme mais bizarro que já vi.
Trata-se do primeiro grande filme de David Lynch, o surrealista "Eraserhead".



Confesso que o conheci devido a banda Pixies, que, em algum de seus shows, decidem cantar uma música que aparece no filme.

O filme é a respeito do personagem Henry Spencer (Jack Nance) e sua (ex)namorada, Mary X (Charlotte Stewart). Ou mais ou menos.
Henry voltava do trabalho (em alguma zona industrial estranha) para seu apartamento, quando é avisado por sua vizinha safada que uma mulher chamada Mary queria falar com ele.
Eis que Henry procura Mary e vai jantar com ela e seus pais. Depois de um jantar no mínimo estranho, Mary conta-lhe que eles têm um filho. Mas não um filho qualquer, um mutante.



Os dois vão morar juntos para cuidar do bebê mutante (bah, "X-Men" o meu c...), quando Mary já não aguenta mais a choradeira do pobre coitado (não é a única, creio eu) e abandona Henry só com o filho.
A partir daí, o filme fica ainda mais estranho. Começam aparecer personagens que de nada tem a ver com a estória, inclusive a filha do diretor. Dentre os personagens destacam-se um operador de uma máquina de lápis e a "Lady In The Radiator".
Ah! A "Lady In The Radiator"! Graças a ela que conheci este filme. Em uma parte ela começa a cantar "In heaven everything is fine / you got your good things / and I've got mine / In heaven everything is fine / you got your good things / and you got mine". Pois trata-se desta canção que os Pixies tocaram e que me fez ir atras do filme.

Entre outras coisas do filme, destaco a cena do jantar de Henry com a família de Mary, e mais destaque ainda para a avó de tal. Ela faz uma ótima participação como apoio para salada, mal se movendo. E ainda tem tempo para fumar um cigarrinho!
Destaco também os poucos diálogos, e as enrolações de Lynch no começo, com Henry andando pela zona industrial e também esperando a porta do elevador fechar.

O filme foi bastante influente por aí e se tornou um cult classic.
Stanley Kubrick (um de meus diretores favoritos, se não o favorito) dizia que este era um dos seus favoritos, e, antes de começar as produções de "O Iluminado", Kubrick passou o filme para o elenco, para dar uma noção de como ele os queriam no filme.
Foi graças a este filme que Mel Brooks (outro ótimo cara, que dirigiu o filme de comédia que mais gosto) convidou Lynch para dirigir "Elephant Man".
Além dos Pixies, outras bandas que gravaram a música "In Heaven" foram o Bauhaus e Devo (além de outras). O Moddest Mouse pegou as linhas da música para "Workin' on Leavin' the Livin'". Os headbangers do Pantera usaram a cena da mulher cantando como introdução de seus shows.
Até mesmo os Dead Kennedys reverenciaram a música, em "Too Drunk To Fuck". Os proggers do Rush também fazem uma reverencia no vídeo de "Limelight", onde da para se ver um poster do filme. O Mars Volta é outra banda que citou o filme como influência.

Ah, não tentem achar o filme em locadoras, pois ele nunca foi lançado neste País Tropical...

2 Comments:

At 8:15 PM, Anonymous Pafuncio said...

H@!

 
At 5:50 PM, Anonymous Sérgio said...

Fala Ptak!
Não conheço esse filme, mas tem um amigo meu que é capaz. Ele conhece esse O Homem Elefante que você citou, vou mostrar pra ele.
Abraço
Sérgio Meq.

 

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