quinta-feira, julho 13, 2006

Syd Barrett.

Como sempre, estou atrasado.
Bem, escrevo hoje, 13 de Julho, no chamado "Dia do Rock" (que é pura besteira, na minha opinião), sobre a morte de um dos maiores nomes do Rock, Roger Keith "Syd" Barrett.

Gostaria de escrever algo decente sobre ele, mas não posso...

Syd Barrett sempre apreciou as artes, em especial, a pintura. Dentro da música, gostava bastante de Blues.
E foi do Blues que ele retirou o nome para sua banda, o Pink Floyd, na junção do nome de dois dos seus bluesman favoritos, Pink Anderson e Floyd "Dipper Boy" Council.

E, para variar, a banda começou como a maioria das bandas inglesas da época, um R&B e um Pop-Rock simples. Barrett sempre manteve as rédeas na banda, e continuou com ela nesse estilo, até ele começar a fazer música com uma influência diferente...

Barrett passou a fazer música influênciado pelo LSD e assim tornou o Pink Floyd como uma banda única na época.

A banda gravou alguns bons singles, como "See Emily Play", "Arnold Layne" e o menos famoso, "Apples & Oranges", ainda com um toque do Pop-Rock da British Invasion, mas já com suas influências lisérgicas.

Então veio o primeiro disco, "The Piper At The Gates Of Dawn", em 05 de Agosto de 1967. Este título foi retirado do livro infantil favorito de Barrett, "The Wind In The Willows".
Infantil! Justamente, é assim o disco. No bom sentido, é claro.
O disco tem cerca de 90% composto por Barrett, com a excessão de "Take Thy Sthethoscope and Walk", de Roger Waters e "Pow. R. Toc. H." (título meio misterioso esse), onde está creditado para toda a banda, mas toda a base foi feita por Rick Wright. O disco remete muito a infância de Barrett, em músicas como "Bike", ou "Matilda's Mother", por exemplo. Mas os grandes destaques do disco são as viajens espaciais que Syd nos proporciona em "Astronomy Domine" e "Interstellar Overdrive".

Ainda em 1967, sai um bootleg da banda, chamado "In London, 1966-67", e como o título sugere, são músicas que o Pink Floyd tocou em Londres nos anos 1966 e 1967. Bem, na verdade o bootleg só tem 2 músicas. Uma versão assustadora de "Interstellar Overdrive", com pouco mais de 16 minutos de duração, mostrando todo o Space Rock Psicodélico que a banda era capaz de fazer. Seguindo "Interstellar Overdrive", vem "Nick's Bogie", com cerca de 12 minutos de duração. A música é um pouco mais sombria, mas, ainda assim, é aquele Space Rock Psicodélico, com destaque para a percussão de Nick Mason, e, claro, todos os "barulinhos" que Syd era capaz de fazer.

Porém, Barrett abusou demais do uso do influente ácido, e com isso, contribuiu ainda mais suas tendências a doenças psíquicas, como a esquizofrenia. Em palco, ele passou a ser ainda mais estranho, onde ficava viajando por muito tempo, olhando em uma só direção e tocando qualquer coisa, as vezes eram longos solos, as vezes apenas o mesmo acorde, "over and over again", enquanto a banda continua (insatisfeita) tocando as bases das músicas. Então, os próprios companheiros de banda decidiram expulsá-los e ele foi substituido pelo seu melhor amigo, David Gilmour. Embora ele tenha sido expulso da banda, no segundo disco, "A Saucerful Of Secrets", ainda conta com uma composição sua, "Jugband Blues".

No palco, o Pink Floyd de Barrett tocou com várias bandas que vieram a fazer seu nome mais tarde, entre elas, o Soft Machine, ainda com Daevid Allen, que era um amigo de Barrett. Aliás, foi de Barrett que Allen pegou sua técnica glissando para tocar guitarra.

Mesmo expulso da banda, Barrett não queria desistir da música, e, em 1970, gravou seu primeiro disco solo, entitulado "The Madcap Laughs". Para este disco, Barrett precisou da ajuda do seu ex-companheiro Roger Waters no baixo, seu amigo David Gilmour nas guitarras e no baixo, e alguns membros do Soft Machine, que eram Hugh Hopper (baixo), Mike Rattledge (teclados), Robert Wyatt (bateria). Syd também contou com Vic Seywell nos sopros e com John Willie Wilson na bateria.

Este disco segue uma linha Folk-Rock, ainda com seus toques Psicodélicos.
As letras passaram a ser mais longas (e as músicas mais curtas).
Entre os destaques do disco, estão "Terrapin", uma música falando de amor, de uma forma bem simples, e com uma "guitarra muda" executando simples acordes.
Outro destaque é "Golden Hair", onde Barrett fez uma música em cima de um poema de James Joyce. A música é bem simples, e uma melodia bem agradável.
Mais um destaque é "Here I Go", uma música que pode ser enganadora, pois apesar da melodia feliz e agradável, ele fala de uma garota que ele conheceu e não gostou de suas músicas, mas no final acaba tudo dando certo...
Mas a minha favorita do disco é "Long Gone", onde Barrett se sai muito bem, cantando, e também fazendo os backing vocals.

Ainda em 1970, sai seu segundo disco solos, entitulaod apenas "Barrett".
O disco segue a linha do anterior, com destaques para "Gigolou Aunt" e "Baby Lemonade".

Depois desse segundo disco, Syd nunca mais gravou nada, e só entrou em um estúdio para fazer uma visita ao Pink Floyd, em 1974 ou 1975, quando eles gravam "Wish You Were Here", que curiosamente, era sobre Barrett.

Pois bem, sem dúvida, Syd Barrett foi um homem muito importante dentro do Rock. Suas músicas viajantes e "cheias de barulinhos espacias" e seu estilo influenciaram várias bandas que vieram depois dele, principalmente as bandas do chamado Space Rock (Hawkwind e Eloy, por exemplo) e as mais vanguardistas, como Can e Henry Cow. Barrett também teve influência fundamental em bandas que praticam o que eu gosto de chamar de Pop-Experimental, como Flaming Lips e Mercury Rev.

Então só resta dizer adeus, ou como muitos diriam, "Shine On, Syd".

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